Médicos Sem Fronteiras

Square
“O que carrego comigo”

MSF precisava humanizar a crise migratória no Mediterrâneo para o público brasileiro nas redes sociais — um tema geograficamente distante e frequentemente tratado de forma estatística pela mídia. O desafio era criar uma série que gerasse empatia sem cair no sensacionalismo ou na estética de sofrimento.

O conceito “O que carrego comigo” partiu de um objeto concreto — o que cada migrante leva na travessia — para acessar o que é abstrato: esperança, trauma, memória. Essa escolha foi intencional: objetos criam proximidade imediata com o espectador, enquanto estatísticas criam distância. A identidade visual foi desenvolvida para sustentar esse equilíbrio, presente e humana, sem ser chocante.

Entrega: Identidade visual para série de postagens no Instagram de MSF Brasil, com narrativa centrada nos relatos de migrantes que atravessaram o Mar Mediterrâneo.

O projeto reforçou que comunicação humanitária eficaz exige uma âncora concreta — o objeto — para que o público consiga entrar em uma realidade que não é a sua.


Vídeo institucional de employer branding

MSF precisava atrair profissionais alinhados à causa humanitária para atuar tanto em seus escritórios quanto em campo. O desafio de comunicação de employer branding em uma ONG é específico: o “benefício” não é salário ou carreira tradicional, é propósito. E isso precisa ser comunicado com autenticidade, sem soar panfletário.

A edição e o motion design foram construídos para equilibrar emoção e clareza: mostrar que trabalhar em MSF é concreto e acessível (escritórios, projetos, equipes), não apenas uma ideia abstrata de “fazer o bem”. O ritmo do vídeo conduz o espectador da identificação pessoal (“você se identifica com a causa?”) até o chamado à ação (“junte-se a nós”).

Entrega: Edição, finalização e motion design de vídeo institucional para o setor de RH de MSF Brasil.

Doctors Without Borders

Context

From April to October 2019, I worked as a temporary collaborator at the Médicos Sem Fronteiras Brasil headquarters, contributing directly to the organization’s communications. During that period, I was responsible for shooting and editing videos and podcasts, as well as producing graphic materials for digital channels and social media.

I continue supporting MSF as an external supplier, developing content that amplifies the visibility of their humanitarian initiatives and strengthens audience engagement.

Deliverables

  • Institutional employer branding video — edited and motion designed to attract mission-aligned professionals for field and office roles
  • Weekly radio spot for the press office, delivered consistently to an external web radio partner
  • Graphic and audiovisual materials for social media and institutional communication, focused on storytelling and project visibility
Vídeo editorial para publicação institucional de MSF Brasil

Em junho de 2023, um naufrágio na rota migratória entre a Líbia e a Grécia causou a morte de aproximadamente 500 pessoas. MSF precisava de um vídeo que comunicasse o evento sem expor visualmente as pessoas afetadas, uma restrição ética que tornou impossível o uso de imagens que identificassem sobreviventes ou vítimas.

A restrição definiu o projeto. Trabalhei com imagens de diferentes operações de busca e resgate de MSF — mar aberto, embarcações, água — e optei por deixá-las respirar: planos longos, movimentos mínimos, silêncio usado de forma intencional. Os depoimentos de sobreviventes foram narrados por um locutor em vez de serem falados pelas próprias pessoas, criando um distanciamento que preservava o peso do que estava sendo dito sem expor quem o viveu.

A ausência de rostos, a voz mediada e a recorrência das imagens do mar deslocaram o vídeo da documentação de um evento específico para algo que comunicava uma estrutura maior. Não este naufrágio. Todos eles.

O que tornou esse trabalho bem-sucedido não foi uma técnica planejada, mas uma decisão que emergiu durante a edição. Essa passagem do particular para o sistêmico, encontrar uma lógica visual capaz de tornar a complexidade compreensível sem reduzi-la, é algo que procuro em qualquer desafio complexo de comunicação. Em contextos humanitários, isso também significa enfrentar uma pergunta mais difícil em cada etapa: o que significa representar alguém que não pode se representar por si mesmo?

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